A Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) iniciou, na noite de segunda-feira (27), a 8ª Semana Indígena – Abril Indígena 2026, no auditório Edson Rodrigues. O evento, organizado pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) e pelo curso de História, busca promover o diálogo e a valorização dos povos originários no Sul do Brasil, combatendo o apagamento histórico dessas populações em Santa Catarina e reforçando a defesa de seus direitos territoriais.
Conforme informações da Unesc, a cerimônia de abertura reuniu professores e acadêmicos para a palestra “Territórios de Saberes: Memória, Resistência e Direitos Indígenas”, ministrada por Kerexu Yxapyry, liderança do território Tekoá Morro dos Cavalos, de Palhoça. A iniciativa conta com o apoio de diversos programas de pós-graduação e laboratórios de pesquisa da instituição, reforçando o caráter interdisciplinar do debate.
Compromisso acadêmico e formação docente
A realização da oitava edição do evento é vista pela coordenação do curso de História como um passo essencial para a reparação histórica. A coordenadora Tatiane dos Santos Virtuoso ressaltou que a discussão é um dever institucional para com as licenciaturas. “Trabalhamos dentro de uma perspectiva de trazer as identidades nacionais e da nossa cultura. Os povos originários e a cultura afro fazem parte da legislação da educação básica e nós, como formadores de licenciatura, temos o compromisso de trazer essas discussões que, muitas vezes, são invisibilizadas nos espaços formais de educação”, destacou Tatiane.
Complementando a visão institucional, a assessora de pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação, Inovação e Extensão (Propriex), Camila Arent, afirmou que a Semana Indígena funciona como um espaço de acolhimento. Para ela, o evento “nos convida a refletir e, principalmente, a escutar histórias, vivências e outras formas de ver o mundo, em um espaço de respeito e valorização das memórias”.
Resistência e visibilidade guarani
O ponto central da primeira noite foi a fala de Kerexu Yxapyry, uma das principais vozes do povo Guarani Mbya. Em seu discurso, a liderança pontuou a importância da ocupação de espaços universitários para a manutenção de direitos. “Os povos indígenas vêm lutando muito para trazer visibilidade num lugar onde tentam nos apagar. Quando a Unesc promove um evento como esse, abrimos um novo espaço para reforçar os direitos que já temos garantidos”, afirmou a palestrante.
Kerexu também defendeu que a produção científica sobre os povos originários deve ser pautada pela ética e pelo contato direto com as comunidades, superando visões datadas presentes em materiais escolares. “Nós estamos aqui para construir, para reflorestar as mentes e ‘aldear’ esses espaços. Queremos que as pesquisas sejam feitas a partir de informações concretas, e não mais baseadas naquele livro didático que fala do ‘descobrimento’ de 1500 como se fôssemos apenas passado. Nós somos o presente”, declarou.
Continuidade da programação e ação social
A programação da 8ª Semana Indígena segue nesta terça-feira (28) com a participação de Fabiano Alves (Karai), liderança do Tekoá Marangatu, de Imaruí. Ele conduzirá o debate sobre espiritualidade e a manutenção do território, ao lado do professor Juliano Bitencourt.
Além das atividades acadêmicas, a Unesc promove uma campanha de arrecadação de alimentos para a comunidade Tekoá Marangatu. Segundo a organização, os donativos podem ser entregues em quatro pontos de coleta: na sala do Neabi, na coordenação do curso de História, no Setor de Arte e Cultura e no Lapis (Iparque).











