PolíticaTSE adia decisão sobre pesquisa eleitoral da AtlasIntel

TSE adia decisão sobre pesquisa eleitoral da AtlasIntel

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiou nesta terça-feira (9) a decisão sobre a manutenção da suspensão de uma pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República realizada pela AtlasIntel. O julgamento foi interrompido após pedido de vista da ministra Estela Aranha. A análise ocorre em Brasília e busca definir se a pesquisa poderá voltar a ser divulgada, após questionamentos sobre sua metodologia e possível influência nas respostas dos entrevistados.

Até o momento, o placar está em 1 a 0 para manter a suspensão do levantamento. O voto foi proferido pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, responsável pela decisão liminar que retirou a pesquisa de circulação na segunda-feira (8). Ainda não há previsão para a retomada do julgamento.

A pesquisa, divulgada em 19 de maio, indicou uma redução de cinco pontos percentuais na intenção de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. O levantamento foi contestado pelo Partido Liberal (PL), que alegou que perguntas relacionadas ao chamado caso Master e a exibição de um áudio envolvendo o parlamentar poderiam ter influenciado as respostas dos eleitores.

Ao defender a suspensão, Kassio Nunes Marques afirmou que existem indícios de comprometimento da neutralidade metodológica do questionário aplicado. Segundo o ministro, a sequência de perguntas apresentada aos entrevistados poderia ultrapassar a simples medição da opinião pública e introduzir elementos capazes de interferir nas respostas.

De acordo com a Agência brasil, com a decisão individual já em vigor, a pesquisa não pode permanecer publicada nos canais oficiais da AtlasIntel nem ser republicada ou impulsionada em redes sociais até nova deliberação da Corte.

Durante a sessão, representantes das partes apresentaram seus argumentos. A defesa da AtlasIntel sustentou que não houve descumprimento das normas eleitorais e que o questionamento do PL se baseia em divergências sobre a metodologia adotada pelo instituto. Já a defesa do partido afirmou que a pesquisa apresenta falhas por não disponibilizar integralmente o material exibido aos entrevistados, incluindo um vídeo mencionado no processo.

O debate também levantou questionamentos sobre os limites da utilização de conteúdos audiovisuais em pesquisas eleitorais. O ministro Dias Toffoli destacou a necessidade de o TSE estabelecer critérios claros para o uso de vídeos e áudios durante entrevistas, argumentando que a decisão poderá servir de referência para a realização e divulgação de pesquisas nas eleições de outubro.

A definição do caso deverá ocorrer após a devolução do processo pela ministra Estela Aranha ao plenário da Corte.

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